Bemtevi no Future Hacker: aprendizados do lançamento do Horizons’26

Ricardo Mastroti participou de uma roda de conversa e o relatório reúne sinais e provocações sobre biomimética, estratégia e cidades do futuro.

 

Vídeo da roda de conversa

PDF do relatório Horizons’26

 

Um encontro para pensar futuro com os pés no chão

O Future Hacker é um daqueles espaços em que o futuro deixa de ser “tendência” e vira conversa séria — daquelas que juntam pessoas, dados, imaginários e escolhas. Foi nesse contexto que Ricardo Mastroti, um dos  fundadores da Bemtevi Investimento Social, participou de uma roda de conversas e acompanhou o lançamento do relatório Horizons’26.

Mais do que um registro do que vem por aí, o Horizons’26 funciona como um mapa de leitura: ele organiza sinais e provocações para ajudar organizações a tomarem decisões melhores no presente — com mais consciência, coragem e imaginação.

 

Nature Blueprint: quando a natureza vira lente de estratégia

No capítulo Nature Blueprint, o relatório propõe uma virada de perspectiva: em vez de buscar estabilidade como meta, aprender com sistemas vivos — que prosperam justamente porque respondem ao ambiente, mudam de forma, se ajustam e seguem.

Na p. 95, duas passagens ajudam a sintetizar essa lógica:

“A natureza só opera em cenários de instabilidade e disrupção. O que não existe no mundo natural é estabilidade ou ausência de mudança.”

“O que a vida faz é adaptar-se, fluir com as mudanças, responder de forma sensível ao ambiente”.

No mesmo trecho, Ricardo comenta como, ao longo da maior parte da história humana, aprendemos observando e imitando a natureza — e como a modernidade, em poucos séculos, acelerou uma desconexão com essa sabedoria.

“A humanidade existe há mais ou menos 200 mil anos, algo em torno de 10 mil gerações. Eu diria que 9.997 delas eram ótimos biomimeticistas”, estima Mastroti.

O recado não é nostalgia. É direção: se a vida sempre foi mestra em lidar com ruptura, talvez as organizações precisem reaprender a desenhar estratégia com base em princípios vivos — especialmente quando o cenário exige resiliência, adaptação e propósito.

 

Do “smart” ao cognitivo: cidades que aprendem

Mais adiante, o relatório amplia o olhar para o urbano e provoca uma pergunta prática: como seriam cidades capazes de aprender continuamente, processar dados em tempo real e agir com autonomia? Na p. 99, aparece a ideia de “cidades cognitivas”, indo além do modelo das smart cities, que Xavi Jofre define:

“Smart cities são tecnologias ajudando humanos a decidir. Cidades cognitivas aprendem e decidem por si”.

A mensagem é clara: a transformação não é só técnica — é cultural. E, no meio disso, o relatório aponta como o urbanismo regenerativo busca desenhar cidades com a natureza (e não contra ela), repensando formas, fluxos e qualidade de vida.

 

O que isso tem a ver com inovação social

A presença da Bemtevi no Future Hacker e no lançamento do Horizons’26 reforça um ponto central para quem quer inovar com impacto: não basta criar novidade. É preciso criar sentido, valor público e soluções alinhadas ao mundo real — com atenção às pessoas, aos territórios e aos sistemas naturais e sociais que sustentam a vida.

Quando o debate sobre futuro se ancora na natureza, a conversa muda de patamar: sai do “otimizar o sistema atual” e vai para o redesenho de sistemas; sai do “fazer menos mal” e vai para caminhos regenerativos; sai da tecnologia como resposta automática e volta para inteligência viva, interdependência e cuidado.

Referência: Future Hacker. Horizons’26. 2026. (ver p. 95 e p. 99).).

Você pode ler também